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Paula Paschoal, a CEO que você precisa conhecer melhor

por:

Nairah Matsuoka

Nairah Matsuoka

Ao longo do mês de março, a HSM trará entrevistas exclusivas com lideranças femininas que estão redefinindo o futuro dos negócios. As conversas fazem parte da série “Futuro Feminino”, um especial sobre os desafios, trajetórias e aprendizados de algumas das principais executivas, inovadoras e empreendedoras do ecossistema de negócios local e internacional.

Após a conversa com a CMO do Netflix, Bozoma Saint John, o especial apresenta a visão de Paula Paschoal, hoje à frente da operação do PayPal Brasil. “Há mais CEO’s em exercício chamados John ou Frank, que todas as mulheres juntas. Isso atesta a importância de destacarmos role models de mulheres líderes“, destaca a CEO da plataforma de pagamentos eletrônicos que compartilhou com a HSM suas visões e experiências.

Você é egressa da Fundação Armando Alvares Penteado e, em um talk na instituição, compartilhou sobre quando compreendeu que o tamanho do seu privilégio deve ser proporcional ao tamanho da sua responsabilidade com a sociedade em garantir equidade de oportunidades. Quais as dores e delícias dessa jornada?
Uma vez no cargo de CEO no Brasil, admito que não tinha expectativa de passar por muitas mudanças, pois já exercia função de liderança havia vários anos. A realidade se mostrou bastante diferente do que eu imaginava, especialmente quando passei a ter o nome impresso no contrato social, trazendo um nível de responsabilidade que me tirou da zona de conforto, gerou exposição junto à imprensa e aumentou, de forma significativa, minha presença em eventos pelo Brasil inteiro – e, agora, em suas versões online.

Ao analisar minha experiência pessoal, notei a falta de incentivo às mulheres interessadas em seguir carreira executiva por causa do mito da inalcançável harmonização entre vida pessoal feliz e trajetória profissional de sucesso. Por isso dedico parte do meu tempo fora do escritório a ministrar palestras compartilhando minha experiência com outras mulheres e participando de programas do Terceiro Setor alinhados aos propósitos da organização.

Ainda no âmbito biográfico, você teve um background familiar que incentivava a ambição profissional, sem limitações. Em um mundo onde tantas mulheres permanecem em cargos de gerência por receio de não conseguirem equilibrar carreira com os demais setores da vida, o que você diria a essas profissionais?
Se tivesse de dar conselhos a essas profissionais, diria o seguinte:
a) assuma suas escolhas. Isso significa escolher por você e não pelos outros. Faça dela algo que realmente tenha sentido para você;
b) torne-se protagonista. Assuma a direção da sua vida, pegue as rédeas e vá em direção de onde quiser ir. Além disso, seja proativa, não espere do outro, da empresa ou da faculdade. Quem tem de agir é você;
c) invista em network. Administre suas redes sociais, pois elas podem significar mais ou menos chances de emprego. Antes de publicar algo, pergunte-se qual imagem você quer passar para quem te acessa. No caso do LinkedIn, por exemplo, use fotos profissionais, faça postagens igualmente profissionais. É importante criar sua imagem pública aderente à sua personalidade e aos seus valores; e
d) invista em seu repertório profissional. Aproveite todas as oportunidades de aprendizado, sejam técnicas, comportamentais ou pessoais.

É preciso que as mulheres se valorizem para poder almejar cargos mais altos, postos de direção e o topo de qualquer pirâmide. Além de alguma ousadia, claro.

Tendo percorrido esse caminho da compreensão e aplicação de práticas de inclusão à frente do PayPal, como você acha que os alto executivos e gestores podem acumular mais acertos no que se refere à diversidade nas empresas?
No PayPal, equidade de gênero e diversidade são questões muito sérias – globalmente e localmente. Temos uma série de ações internas para garantir a ascensão de mulheres e minorias a postos de liderança. Atualmente, 50% do conselho global da empresa é formado por mulheres ou minorias étnicas; 51% dos vice-presidentes do PayPal são diversos; e, entre diretores e executivos acima dessa posição, o índice alcança 54%. Globalmente, a empresa acaba de atingir a marca de 58% de diversidade.

Assim que o PayPal se separou do eBay, em julho de 2015, tivemos a chance de nos reinventar como empresa. Ou seja, pudemos criar nossa própria missão com base em pilares nos quais acreditamos. Pilares como equidade, diversidade e inclusão. Nosso CEO, Dan Schulman, costuma dizer que a diversidade é um fato, a inclusão é uma escolha. E escolhemos fazer a coisa certa.

Agora, falando um pouco sobre mercado, o PayPal acumula mais de 377 milhões de clientes, em mais de 200 mercados e mais de 100 moedas diferentes. Mas o mundo não para de se transformar e os criptoativos vêm mexendo com economias por todo o mundo. As criptomoedas já estão impactando os meios eletrônicos de pagamento?
Por enquanto, este tema está restrito ao mercado dos EUA. O PayPal vem assistindo a um movimento de digitalização dos bancos centrais pelo mundo. A explosão do uso de carteiras digitais durante a pandemia indica que o consumidor vai cada vez mais abrir mão do dinheiro físico, e estamos bastante confiantes com o futuro das carteiras digitais e a popularização do uso de criptomoedas. Nos parece uma questão de tempo para que grandes instituições financeiras passem a adotar as criptomoedas.

A maioria dos grandes bancos está aguardando as moedas digitais se popularizarem, e o mundo todo está migrando para o ambiente digital. Os consumidores estão adotando contactless, QR Code. É para onde estamos indo. De qualquer forma, a volatilidade das criptomoedas ainda é um ponto crítico. Para Dan Schulman, CEO do PayPal, uma forma de contornar isso e estimular o uso das moedas digitais é fazer uma conversão da cotação da criptomoeda para a moeda local em tempo real, no momento da compra, assim como o PayPal faz hoje. Dessa forma, tanto o consumidor quanto o vendedor não saem perdendo com a flutuação do valor. O que o PayPal está fazendo é mostrar ao consumidor qual o valor naquele exato momento.

O PayPal é conhecido como uma empresa que promove o bem estar entre seus funcionários. A pandemia trouxe quais mudanças na cultura da organização?
O maior impacto foi a migração de nosso time para trabalhar 100% de forma remota do dia para a noite. Estamos vivenciando algo inédito na história e tivemos de nos adaptar muito rapidamente para nos adequar a esta nova realidade. Diversas iniciativas vêm sendo implementadas pela organização desde o começo da pandemia em parceria com nosso plano de saúde, como palestras, consultas virtuais etc. Também temos sessões de ginástica laboral, além de outras iniciativas, como o Programa de Apoio ao Empregado, que oferece assistência em diversas áreas, soluções para busca do equilíbrio, gerenciamento do stress e apoio aos pais (para lidarem com os filhos diante de alguma dificuldade). A empresa também oferece suporte financeiro para que todos tenham os recursos necessários para trabalhar remotamente.

Além disso, estabelecemos uma política de dias de descanso remunerados para todos os colaboradores, em reconhecimento aos desafios que estamos enfrentando e para que possam ter um tempo extra para se desconectarem. Todos sabem que podem contar sempre com o apoio da empresa, ainda mais neste período desafiador e sem precedentes.

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