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O Outro – A palavra -chave de 2022

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2021 foi um ano imparável no que tange à questão da diversidade. Seja porque enquadrar-se nos quesitos de ESG tornou-se mandatório a toda e qualquer empresa, ou porque entendeu-se (finalmente) que empresas plurais geram visões plurais, o fato é que ter quadros variados, com representantes de todos os gêneros, etnias, raças ou simplesmente com legados distintos tem sido a procura que o RH trata de endereçar. Entretanto, o crescimento da variedade e da composição de pessoas é apenas o começo da resposta mais ampla. Precisamos usar a introdução da diversidade no corporativo para um salto de compreensão cognitivo e emocional.

Somos sapiens, uma espécie mamífera extremamente gregária, que se organiza através de uma extensa rede de contatos. Somos inatamente regidos pela necessidade de sermos vistos e reconhecidos como membros do clã. Como espécie tribal, também somos ciosos de nossa cultura grupal, pois ela nos dá narrativamente esse sentido de unidade e pertencimento. Uma boa quantidade de indivíduos diferentes compondo o clã (seja ele uma vizinhança, uma empresa ou qualquer outro coletivo) traz uma riqueza narrativa importante, sem provocar diferenças irreconciliáveis que fragmentem o grupo. A criação da cultura grupal – esse fenômeno humano único – marca as diferenças entre os grupos. Provoca conflitos, mas ao mesmo tempo é o que estende pontes de comunicação entre os coletivos.

Em cada um de nós, o terreno onde a cultura finca suas raízes é sempre na subjetividade, naqueles espaços que chamamos de o Eu e o Outro. Eu, na compreensão do que sou, do que desejo, do que me motiva; e o Outro como o espelho indispensável para me reconhecer como Eu – seja na identificação, seja na oposição das atitudes grupais e culturais.

Identificar e aproximar-se do Outro é hoje uma necessidade fundamental das empresas. Por que isso está no topo das preocupações do pessoal de marketing, estratégias, vendas, operações e RH?  Porque com a progressiva e implacável mudança de face do capitalismo para um consumo regido pelo valor da experiência ao invés do valor do produto, é no reino da subjetividade em querealmente as relações comerciais acontecem. Precisamos, como empresas, conquistar espaço nas memórias e afetos do consumidor, para que ele nos permita acessar esse campo invisível no qualsuas decisões realmente são formadas. Gostamos de pensar que somos tomadores de decisão racionais, mas a coisa não é bem assim.

O exercício de acesso à subjetividade se faz mais rico quanto mais Outros eu puder acessar sob uma ótica de proximidade e familiaridade. Quanto mais variada for essa representação do Outro, mais cômodos com as diferentes subjetividades estaremos, com mais tranquilidade e perspicácia olharemos o resultado das experiências que queremos vender. Entendemos assim a necessidade constante de termos o Outro diferente o mais integrado possível ao meu clã, à minha empresa.

Acolher e viver com o Outro, entretanto, não significa suprimir a diferença e o estranhamento inevitáveis. Pelo contrário. O exercício implica também que a consciência que aquele espaço interno de muitos Outros pode sempre permanecer uma sombra incompreensível, que nunca acessaremos de verdade – e aqui empresas e pessoas tem que exercer a famosa empatia.  É um jogo de mistério eterno, que nunca finda, mas por isso mesmo sempre possível de ser reinventado a todo momento. Novas possibilidades – portanto novas experiências – surgem a cada minuto. A roda sempre vai girar. Essa é a real beleza que empresas espertas entendem e praticam.

Celebremos o Outro.

Anna Flavia Ribeiro é consultora empresarial de inovação disruptiva, pesquisadora de temas contemporâneos e filósofa da FSB, especializada em fomento de múltiplas inteligências para lideranças pós-digitais

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