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Josie Romero e a gestão feminina no supply chain

por:

Nairah Matsuoka

Nairah Matsuoka

Dando sequência ao especial “Futuro Feminino“, série de entrevistas que já apresentou conversas com Bozoma Saint John (Netflix), Paula Paschoal (Paypal Brasil), Katia Vaskys (IBM) e Flavia Verginelli (Google), falamos com Josie Romero, Vice-Presidente de Operações, Logística e Suprimentos Natura &Co.

O grupo, composto por Avon, Natura, The Body Shop e Aesop, possui 51% de mulheres na liderança (três primeiros níveis da organização e em cargos de diretoria) e traz a diversidade como parte do seu planejamento estratégico, integrando o pilar de transformação organizacional. As metas estabelecidas para o tema são acompanhadas por um comitê executivo e pela vice-presidência de Pessoas, Organização e Cultura.

Nessa entrevista, Romero compartilha sua visão de gestora, mãe e mulher. E traz também as ações exercidas pela empresa no âmbito da equidade. “As empresas são importantes agentes de transformação social e, por isso, é necessário que o modelo de negócio da empresa contemple aspectos sociais, incluindo a geração de impactos positivos através de produtos, serviços e comportamentos empresariais“, afirma.

O processo de adequação do mundo corporativo às questões de equidade de gênero facilitou seu processo de conquistar cargos de liderança ou você acha que na prática as coisas ainda não são tão simples assim?

De verdade, não!  Comecei a trabalhar 30 anos atrás (imagina!) e escolhi uma carreira exercida predominantemente por homens, até então. Durante muitos anos fui a única mulher em reuniões, discussões e espaços profissionais. Me faltaram muitas referências de liderança feminina. E foi necessário construir minhas próprias referências e modelos do que seria uma líder feminina em supply chain, os aprendizados nesse processo fizeram com que eu me comprometesse na responsabilidade de ajudar as gerações mais jovens, de abrir caminhos para que muitas mulheres encontrassem também sua própria formula, parte do meu papel é mostrar que é possível ter uma carreira profissional e ser mãe/esposa/cidadã. Que a mulher pode estar onde quiser, ser o que quiser.

Chegando agora em um assunto mais biográfico, como foi para você vivenciar a maternidade em pleno exercício da profissão?

A maternidade me fez mais forte, mais resiliente e mais empática. Sou uma pessoa e profissional muito melhor pelo exercício de ser mãe, já que me permite aprofundar meu autoconhecimento. Costumo dividir minha vida e carreira como “antes e depois da chegada das minhas filhas”.  Nas duas vezes em que fiquei gravida, quando voltei ao trabalho após a licença de maternidade, assumi posições de maior responsabilidade. Eu sempre quis muito ser mãe e ser uma profissional feliz, por isso me dediquei muito para fazer dar certo e equilibrar ambos papéis.

Sua habilidade de gestão vem muito da sua disposição em conhecer a base operacional, aqueles que executam as decisões tomadas nas reuniões. Você acha que essa capacidade empática e de escuta são características que as empresas poderiam ver como diferencial feminino?

Acredito que sim. Mas ao mesmo tempo, homens e mulheres podem ser empáticos e bons ouvintes. Eu acredito muito que a combinação e o equilíbrio são os melhores caminhos, que empresas diversas contribuem para a pluralidade no ambiente de trabalho e para um olhar mais atento a diferentes cenários, realidades e pessoas.

Quando há mais representatividade feminina entre líderes de uma companhia, a liderança adquire uma perspectiva mais equilibrada e assertiva das necessidades de seus colaboradores.

O que você sugeriria ao mercado corporativo quanto às gestoras que são também mães de família?

É importante buscar ouvir seus colaboradores com frequência, procurando conhecer as diferentes realidades que vivem e as principais dificuldades que enfrentam no dia a dia de trabalho; e a partir dessa realidade, criar condições para que as mulheres não tenham que escolher entre crescer na carreira ou ter uma família. Importante também revisar os estereótipos, olhando para mulheres que não desejam se tornar mães, por exemplo. O papel da liderança é fundamental e por isso a representatividade feminina é importante, assim diferentes cenários e pessoas podem ser contemplados, levando a uma gestão mais assertiva, inclusiva e atenta.

Criar espaços para compartilhar exemplos positivos de mulheres que inspirem a outras a criar esse equilíbrio. Garantir que cada pessoa trabalhe para criar e manter um ambiente de trabalho inclusivo, líderes homens e mulheres trabalhando em conjunto para esta causa.

Muitas mulheres, por exemplo, enfrentam dificuldades de ascensão na carreira por vivenciar uma jornada dupla diariamente, conciliando carreira e filhos. Tentamos contribuir para mudar essa realidade, oferecendo benefícios como licença-maternidade de seis meses, licença-paternidade de 40 dias e berçários para filhos de colaboradores. Também é importante criar condições para que os pais equilibrem seus papeis. Não devemos limitar as ações sós as mulheres, estamos falando de equidade de gênero e precisamos incluir todas as pessoas nessa jornada.

A Natura está com quais iniciativas na política de equidade?

No ano passado lançamos como grupo o Compromissos com a Vida 2030, nossa visão global com de metas ambiciosas para endereçar questões socioambientais, como as mudanças climáticas, o desmatamento da Amazônia e defender os direitos humanos. No pilar dos direitos humanos, o grupo visa criar condições melhores e mais inclusivas para que toda sua rede prospere, aumentando a diversidade em 30% no quadro de colaboradores de todas as suas marcas, garantindo a paridade de gênero e remuneração igualitária entre toda a sua força de trabalho e assegurando que 50% dos cargos de liderança das empresas sejam ocupados por mulheres até 2023.

Esse compromisso foi assumido pela Natura na sua Visão de Sustentabilidade 2050 e passou a ser ampliado para todas as empresas do grupo. Nessa Visão global, também assumimos o compromisso de reduzir o gap salarial entre homens e mulheres até 2023.

Para promover a equidade de gênero na empresa, atuamos através de três pilares: liderança feminina, corresponsabilidade e combate à violência contra a mulher. Mantemos grupos formados por colaboradores voluntários que desejam fortalecer as pautas de diversidade na Natura, com campanhas de conscientização na empresa. Também temos como missão garantir que pelo menos 50% dos finalistas em todos os processos de seleção, de qualquer nível hierárquico, sejam mulheres.

Além disso, as empresas do grupo Natura &Co na América Latina contam com uma política de enfrentamento à violência de gênero, que direciona a adoção de procedimentos e recursos para apoiar às colaboradoras que estiverem em situação de violência. Antes dessa unificação, as principais empresas do grupo, já possuíam protocolos locais de apoio às colaboradoras em situação de violência em alguns países, que agora serão ampliados para toda a região, reforçando o compromisso com a causa e a equidade de gênero na América Latina.

Na Natura, por exemplo, contamos com o Comitê de Enfrentamento à Violência Doméstica, um canal 0800 para atender colaboradoras vítimas de violência – pelo qual é possível receber orientação de psicólogos, assistentes sociais e advogados – e ações de suporte, como licença temporária do trabalho, crédito adicional para despesas extras e transferência para outras unidades da empresa.

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