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HSM Expo 18 | 07 de novembro

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O terceiro e último dia da HSM Expo 2018 trouxe mais ideias para proporcionar, aos líderes e empreendedores presentes, novas alternativas para uma transformação constante em seus negócios e vida pessoal.

A manhã começou com uma palestra do diretor do MIT Media Lab, Joi Ito, que falou sobre sistemas complexos, como o ecossistema terrestre, o mercado financeiro e a internet. “Nos sistemas complexos não há um controle centralizado. Com a internet, o mundo se tornou mais imprevisível e tudo começou a acontecer de forma mais rápida. Ela descentralizou tudo”, afirmou. Ao mesmo tempo que isso permitiu diversos avanços tecnológicos, também trouxe problemas sociais. Apesar de acreditar que a causa mais provável do fim da humanidade vai ser um erro da biotecnologia, ele diz que a salvação é possível. ”As pessoas da geração Z, nascidas depois de 2001, têm uma sensibilidade muito diferente, porque cresceram entendendo que o mundo é complexo, e elas estão prontas para iniciar uma grande mudança cultural. A questão é: como sua empresa reage e interage com as mudanças de valores de quem trabalha pra você e compra seus produtos?”

A palestra seguinte ajudou os gestores a responder essa pergunta. Laszlo Bock foi, durante anos, VP de recursos humanos no Google, e trouxe diversas dicas para encontrar os melhores talentos, desenvolver suas habilidades e mantê-los na empresa. Ele comentou que, antes, uma pessoa que trabalhasse em uma empresa por pouco tempo e saísse era mal vista. Mas isso mudou. “Os seres humanos querem que seu trabalho tenha algum significado, querem ver valor naquilo que estão fazendo”, afirmou. “Somente 1/3 das pessoas acham que seu trabalho é significativo. Então, dê um sentido ao seus colaboradores. As empresas que fizeram isso conseguiram, em média, um aumento de 21% na produtividade.” Outro ponto importante, segundo ele, é a construção da confiança. “Se você quer trabalhar em um bom ambiente, tem que confiar em sua equipe. Se permitir que as pessoas se sintam confiantes, elas te darão mais retorno, compartilharão mais.” Mas é claro que tudo isso só funciona se você contratar as pessoas certas. E como fazer isso? “Contrate pessoas diferentes de você, melhores que você, com quem você possa aprender.”

Rana El Kaliouby, cientista da computação e fundadora da Affectiva, mostrou, na sequência, como sua empresa usa a inteligência artificial para entender as emoções humanas. A aplicação disso vai, desde o reconhecimento de padrões faciais que indiquem traços precoces de Alzheimer, até a avaliação da aceitação de filmes publicitários pelo público. Rana mostrou, ainda, exemplos do uso da ferramenta para recrutamento (“A inteligência artificial emocional agilizou o processo de contratação em 90% e aumentou a diversidade em 16%.”) e na indústria automobilística (“O futuro da mobilidade se preocupa muito com a experiência do usuário. Imagine um carro que pudesse tomar o controle da direção ao perceber que o motorista está cansado ou distraído.”). As possibilidades dessa tecnologia, no entanto, são infinitas. “Eu acredito que há um grande potencial se ela estiver nas mãos das pessoas certas, que queiram fazer a diferença no mundo”, aposta Rana.

A tarde começou com uma série de exercícios guiados pela jornalista Mariana Ferrão e o monge Satyanatha. A dupla falou sobre a importância da gratidão no ambiente profissional (“aumenta a sensação de que as metas podem ser cumpridas, traz mais satisfação e cria mais conexão com os colegas do trabalho”) e como combater a hostilidade nesse ambiente. “Ela está nas pequenas coisas”, contou Mariana, “como quando as pessoas desmarcam e remarcam reuniões de última hora, não falam bom dia ou não aceitam seus próprios erros. Mas quando a gente estabelece uma conexão amorosa, fica mais difícil entrar na hostilidade e o ambiente de trabalho muda.” A participação deles terminou com uma sessão de meditação coletiva.

Na sequência, tivemos a participação histórica do cofundador da HSM, José Salibi Neto. Pela primeira vez, em trinta anos, ele subiu ao palco do evento para contar sua trajetória, que é interligada à da própria empresa. “O primeiro patrocínio que a HSM teve foi de 10 mil dólares. Hoje temos dezenas. Mas aquele foi o mais difícil de conseguir”, contou. Segundo ele, no início, trazer os principais gurus de gestão do mundo também não era tarefa fácil: “No início dos anos 90, Michael Porter recebia 200 convites para palestrar por dia. Eu queria muito trazê-lo para o Brasil, mas era muito difícil. Então decidi ir até a faculdade onde ele lecionava, em Boston, fiquei esperando na frente da sua classe, e o convenci a vir.” Em meio a uma mudança profissional – ele está saindo da HSM para seguir a carreira de escritor e palestrante – Salibi deixou uma dica para os novos empreendedores: “Tem muitas coisas que vão mudando, as teorias de estratégias, novos modelos de negócios… É preciso ficar de olho nessas inovações para não se perder pelo caminho. Mas nenhuma ideia do Peter Drucker expirou. Eu aconselho todos os jovens a conhecê-las. E também que encarem que o Brasil é um país difícil. Se você acredita no seu produto, se existe um mercado e você acha que vai resolver um problema, tem que persistir e esperar.”

Mas é preciso saber quando mudar também. “A transformação é difícil”, afirmou Jim Hemerling, sócio sênior do Boston Consulting Group e último palestrante do dia. Para ele, é complicado mudar a trajetória fundamental de uma empresa e melhorar seu desempenho, mas é necessário. “Os líderes devem ser os responsáveis pela transformação. Eles devem trabalhar juntos para resolver os problemas e construir as sinergias que permitam a empresa avançar”, declarou. Se no passado, em um mundo estável, tudo o que eles precisavam fazer era identificar as prioridades e executá-las, agora devem inovar e executar com agilidade. Para isso, é preciso que tenham confiança em suas equipes. “Para conseguir a transformação, é preciso um programa que seja orquestrado pela liderança, mas que se conecte com todos que estão trabalhando nele. Os líderes ficam entusiasmados para começar uma transformação, mas, muitas vezes, seu maior desafio é inspirar colaboradores que estão cansados e desanimados.” Hemerling finalizou sua participação dizendo que é preciso ter coragem para fazer uma transformação, mas que ela é possível. E deixou um último conselho: “Você, como líder, precisa inspirar, empoderar e incluir as pessoas, para que elas sintam que estão com você, porque a jornada vai ser longa e cansativa.”

Assim terminou a HSM Expo 2018. Agora é hora de ter a ousadia de se reinventar a partir dessas novas perspectivas. Esperamos vocês no ano que vem!

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