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Gabriela Augusto e a empregabilidade trans

por:

Nairah Matsuoka

Nairah Matsuoka

A pauta da equidade de gênero registrou avanços significativos nos últimos anos. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido em diversas áreas. Os pontos mais críticos desse debate incluem a visibilidade das mulheres trans. Entre os profissionais que vêm estabelecendo novas pontes de diálogo e convertendo questões de inclusão em oportunidades reais, está Gabriela Augusto.

Advogada trans, membro do Núcleo Inanna de pesquisa sobre Sexualidades, Feminismos, Gênero e Diferenças (NIP-PUC-SP) e fundadora da consultoria em Diversidade e Inclusão, Transcendemos, Gabriela é a quarta convidada do especial “Futuro Feminino” e traz ao debate sua visão e vivência enquanto uma mulher trans e negra.

As organizações estão mais dispostas e empenhadas em aprenderem sobre a diversidade, mas como você enxerga a questão da empregabilidade?
Na medida em que mais empresas investem em conscientização e treinamento, empregabilidade passa a emergir como um tema prioritário. Hoje, uma grande dor das empresas é se conectar com mais profissionais negros, LGBT+, com deficiência e de outros grupos subrepresentados. Algumas organizações têm, inclusive, investido na formação e desenvolvimento profissional desses grupos. É um movimento bastante positivo e que só tende a ganhar força.

Você relata em suas entrevistas que, há alguns anos, diversas empresas não aceitavam seu manual nem de graça. Na sua opinião, a que se deve a mudança de pensamento no mundo corporativo a respeito da pauta?
Muita coisa mudou nesses quatro anos de atividade da Transcendemos. De um lado, podemos dizer que as pessoas têm tomado consciência de seus direitos e da importância de se buscar mais igualdade nas relações. Hashtags como #meetoo e #blacklivesmatter ganharam muito espaço nos últimos anos e isso tem se revertido em uma espécie de cobrança de posicionamento por parte das empresas. De outro lado, o mundo corporativo tem reagido a essas demandas e investido em programas de diversidade e inclusão que tenham efetividade prática.

Quais você considera os maiores desafios na adesão de políticas inclusivas e diversas nas empresas?
Acredito que o maior desafio é sair do discurso e ir para a prática. Muitas empresas são criticadas por se pintar das cores do arco-íris em junho ou fazer publicações no mês da consciência negra, mas não agir no dia a dia. Além de comunicar, é preciso fazer. Nesse sentido, posso dizer que é importante se preocupar com um planejamento estratégico efetivo. Levantar dados sobre o cenário da empresa, e de posse dessas informações, estruturar uma agenda de ações de conscientização, recrutamento e outras frentes.

Quais países são exemplo de inserção de profissionais trans em seus postos mais altos?
Inclusão trans é um tema relativamente recente no mundo corporativo. Ainda há pouco material documentado sobre o tema. Podemos mencionar alguns casos específicos de organizações que estão saindo na frente com as suas estratégias de inclusão T, mas acho que é cedo apontar para um país que seja um exemplo.

Quais conselhos você daria de executiva trans para profissionais trans em início de carreira?
Eu sempre digo que nós, pessoas trans, devemos reconhecer o nosso potencial. Por mais que a gente ainda veja muitas de nós no mercado de trabalho informal, essa realidade está mudando. Grandes empresas precisam de inovação e criatividade, e contar com equipes diversas é ponto fundamental nesse processo. O mercado precisa de nós.

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