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Calmaria ou tormenta: em qual momento mudar?

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Como no mar, há na vida os momentos de calmaria e também aqueles de tormenta. Em quais deles você sente disposição para mudar? Ouso dizer que sua resposta foi “na tormenta” pois é a necessidade que nos impulsiona para realizar transformações. Verdade. Aprendemos isso desde os primeiros momentos de nossa existência. Afinal, nenhum bebê resolve nascer naturalmente antes que a falta de espaço o incomode a ponto de agir pela mudança de habitat.

Mas hoje quero me arriscar a pensar diferente e convido você também para isso. E se escolhêssemos mudar na calmaria? Na hora em que o vento está parado ou soprando de leve na popa e o barco deslisa sobre as ondas com tranquilidade?

Quem me provocou para essa reflexão foi a velejadora e escritora Tamara Klink. Tive a honra de conversar com ela em um encontro que realizamos na empresa, pois ela é uma embaixadora de nossa marca no Brasil. Ela nos contou sobre a aventura que protagonizou, aos 24 anos, sozinha (!!), atravessando o Oceano Atlântico, da África ao Brasil, no Sardinha, seu veleiro. A história dela, além de me emocionar, me colocou para pensar sobre como e quando conduzimos mudanças em nossas vidas.

Volto aqui para meu oceano: o universo da TI. Posso afirmar que vamos todos bem. As empresas crescem dois dígitos há alguns anos e, apesar da falta mão de obra no mercado, a tecnologia vem sendo cada vez mais incorporada ao dia a dia de todo mundo, geeks ou não.

O humanismo digital veio para ficar.  Existiremos – em pouco tempo – em um não-lugar (Metaverso?), a partir dos gadgets e apps cada vez mais fascinantes que as mentes brilhantes da indústria nos trazem. Há muito trabalho, mas há também a tranquilidade de se saber necessário, importante e urgente para toda a sociedade.

A partir dessa sensação, perguntei a Tamara qual momento da travessia que realizou foi o mais difícil, no qual ela se sentiu mais vulnerável. A minha expectativa era que ela falasse de ondas gigantes ou das fortes correntes marinhas não previstas. Diferente disso, ela me respondeu que não temeu as intempéries. Claro, as respeitava, mas não se sentia ameaçada por elas. Para minha surpresa, ela me respondeu que se sentia vulnerável na calmaria, quando baixava a guarda e, provavelmente, negligenciava a checagem dos equipamentos, o colete, as velas. Segundo ela, é nesse momento que ela poderia se arriscar a esquecer de algo que poderia lhe custar a própria vida.

Paranoia? Talvez. A partir da conversa com Tamara, retornei ao Andrew Grove e seu incômodo livro “Só os paranoicos sobrevivem”, no qual ele conta como a Intel tornou-se a maior fabricante de chips do mundo. Assim como a jovem velejadora brasileira, Groove ensina a agir com muita atenção quando as coisas estão bem.

Blackberry, Nokia, Kodak são alguns dos exemplos sempre citados quando o assunto é a mudança abrupta dos ventos que podem levar ao fim de grandes campeões de mercado, empresas inspiradoras, que foram disruptivas até que foram rompidas pela inovação de terceiros de que nem imaginavam como competidores.

Grove diz que o sucesso gera complacência e a complacência gera fracasso. Ou seja, é no momento em que estamos celebrando a vitória, confortáveis em nossos lugares, que a maré ou os ventos podem mudar, sem mesmo percebermos.

Neste contexto, desenvolver a chamada ambidestria corporativa é fundamental. Trabalhar no hoje, concomitantemente pensando no amanhã. Destacar as melhores equipes para trabalhar em projetos que, no momento, podem até ser deficitários, mas que poderão vir a garantir o futuro da empresa em um período por vezes curto de tempo.

Celebrar é preciso, claro. Ficar atento também. Neste momento de calmaria no oceano da TI, o que podemos prever? O que poderia abalar estruturalmente nossos negócios? Como a tecnologia poderá ainda ser necessária quando ela não fizer mais parte do real anseio dos consumidores? Quando a tecnologia não estiver mais associada a busca da felicidade, como hoje? Quando poderá estar relegada a um segundo plano em nossas vidas, sendo apenas e tão somente… tecnologia?

A Tamara falou com um sorriso nos lábios o que Andrew Grove disse afiando as armas: precisamos nos reinventar quando estamos no sucesso. Desafiar os paradigmas de tudo aquilo que está bem. Criar novas barras de metas, rediscutir coisas que parecem que estão ganhas. Não estão, nunca está.

Então, no sucesso, curta, aproveite o horizonte e depois: volte ao trabalho!

Ricardo Neves é CEO da NTT Data no Brasil

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