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Anitta, Nubank e os desafios de diversidade e equidade de gênero

por:

Nairah Matsuoka

Nairah Matsuoka

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (21) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a média de mulheres nos conselhos das empresas na bolsa brasileira é de apenas 12,1%. O resultado deixa o Brasil em 14º lugar no ranking das 22 maiores bolsas de valores pelo mundo.

O desempenho nacional na equidade de gênero em altos cargos executivos é ainda pior: 5% da presidência dos conselhos administrativos é feminina. Apenas 1% de CEOs no Brasil são mulheres.

Os números deixam claro o abismo que ainda separa as mulheres dos cargos de liderança das empresas nacionais. Mas o que acontece quando o mais badalado unicórnio do país anuncia uma mulher em seu conselho de administração?

No começo desse mês, o mercado brasileiro já havia celebrado a notícia da Berkshire Hathaway, gestora de Warren Buffett, como a mais nova acionista do Nubank. Nada comparado ao buzz gerado pelo anúncio de Larissa de Macedo Machado, a Anitta, como membro do Conselho de Administração do maior banco digital do país. Nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp, as críticas sobre sua qualificação técnica para ocupar o cargo foram quase instantâneas.

O anúncio foi feito dias depois da Saks, gigante de departamentos norte-americana, anunciar o jogador de basquete James Harden como membro do conselho da área de e-commerce da empresa. Nesse caso, o conselheiro também realizou um investimento minoritário na marca.

Em comunicado, a Saks Fifth Avenue afirmou que Harden “trará sua expertise em ajudar a desenvolver marcas de alto potencial para o consumidor, combinado com uma perspectiva única de um notável entusiasta da moda”. Os questionamentos sobre o perfil técnico de Harden, no entanto, não levantaram — nem de longe — as mesmas suspeitas sobre a capacidade técnica da cantora brasileira.

De acordo com a Coluna do Broadcast, do jornal O Estado de S. Paulo, membros do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) estariam dispostos a oferecer um curso intensivo de formação de conselheiros para Anitta. A questão é: mesmo com a visibilidade de marca gerada pela notícia, a escolha do Nubank não poderia levar em conta a experiência de uma empresária de entretenimento que criou uma base de fãs internacional e acumulou uma fortuna de cerca de R$ 533 milhões?

Eleita pela Billboard como uma das artistas mais influentes da música, Anitta conta com 50 milhões de seguidores no Instagram, 15 milhões no Twitter e outros 15 milhões de inscritos em seu canal no YouTube.

Segundo o cofundador do Nubank, David Vélez, seu diferencial está justamente nessa experiência em criar estratégias de marketing vencedoras. “Nenhum outro conselheiro possui essa experiência”, confessou em entrevista à Exame.

Ainda no âmbito das metas organizacionais, com a presença de Anitta, o Nubank passou a ter três mulheres em seu conselho de administração, junto com Anita Sands (Princeton e UBS) e Jacqueline Reses (Square e FED). Chegando a 37,5% de mulheres no total de conselheiros.

A artista tem sido sistematicamente elogiada pelo conhecimento do comportamento dos consumidores nos mercados que tem explorado, o que já havia rendido o convite para ocupar o cargo de Head de Criatividade e Inovação da Cervejaria Ambev. Para os atuais e futuros conselheiros, uma oportunidade e tanto para refletir sobre novos formatos de gestão, diversidade, e inovação.

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